Ravoire & Fils e o charme dos Rosés de Provence

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Ravoire & Fils é uma empresa familiar, independente e secular. A família de imigrantes dos Alpes de Savoie chegou à Provence em 1471 e a vinícola foi criada em 1987. Seu fundador, Roger Ravoire, recebeu o filho, Olivier, na empresa em 2004 quando foi rebatizada para o nome Ravoire & Fils e além da Provence, expandiu sua atuação para o Rhône, onde estão sediados em Châteauneuf-du-Pape. Em 2016, Olivier Ravoire, atual CEO da empresa, decidiu reforçar o DNA familiar da vinícola adotando o nome Famille Ravoire (Família Ravoire), o que reafirma os valores humanos como foco para a sustentabilidade do negócio. 

A região da Provence

Poucas regiões produtoras de vinho no mundo conseguem transmitir tão bem um cenário e um estilo de vida. Ao mencionar a Provence muitos pensarão nos campos de lavanda e girassol, o azeite, as ervas aromáticas, o sol sempre brilhando e, claro, os onipresentes vinhos rosés. Além da expressão delicada e clarinha, sinônimo do estilo provençal dos vinhos rosés, a gastronomia local, repleta de vegetais, legumes e pescados, se mostra muito bem adaptada aos vinhos locais. 

Os vinhos da Provence

A Provence é o hospedeiro dos primeiros vinhedos da França. Registros históricos mostram que há cerca de 2.600 anos atrás os gregos levaram as videiras para a região onde hoje é a cidade de Marselha. Quatro séculos depois, em 200 a.C. os romanos chegaram à região mantiveram o cultivo das videiras na zona batizada de Provincia Romana, nome que derivou para Provence. 

Obviamente a Provence não é unidimensional e apesar de encontrarmos bons brancos com base na Rolle (Vermentino) e tintos com base na Grenache, Mourvèdre e Syrah, os rosés dominam cerca de 89% da produção de vinhos da região. 

Entre as principais variedades utilizadas para os rosés estão a Grenache, Cinsault, Mourvèdre e Syrah, em ordem decrescente de importância mas com a ressalva da recente e crescente participação da Syrah e seu perfil frutado mais intenso. Ainda que sejam todas castas chamadas de mediterrâneas, isto é, bem adaptadas ao tórrido clima daquela bacia marinha (e que reflete em vinhos potentes e exuberantes); quando cultivadas na Provence resultam em vinhos delicados, frescos e etéreos. Claro que envolto nessa expressão há o onipresente terroir, o conjunto de condições naturais da região, o que na Provence é marcado pelo solo bem drenado de calcário e os ventos fortes e turbulentos que mantém boa circulação de ar entre as fileiras de videiras, evitando podridões e cadenciando o ciclo de amadurecimento dos cachos das uvas. 

Outro fator fundamental para o estilo único dos rosés da Provence e que também integra o conceito de terroir é o conhecimento acumulado pelos vitivinicultores, o que os franceses chamam de savoir-faire (saber fazer). Para estes vinhos não vale o paradoxo de muitos tintos de qualidade, onde o baixo rendimento e frutos concentrados estão relacionados com boa qualidade. Para os rosés, não interessa grãos de uvas pequenas com cascas grossas, mas sim um bom equilíbrio entre acidez, sem excesso de açúcar natural e amadurecimento adequado dos aromas de cada variedade. Tão importante quanto equalizar o ponto de colheita das uvas, é definir a mescla e personalidade das diferentes castas. 

Grenache, Cinsault, Mourvèdre e Syrah

A Grenache aporta estrutura com pouca cor e possui frutado delicado, não por acaso é a base dos rosés. Em seguida, a Cinsault colabora com seu caráter aromático e bastante fresco, enquanto a Mourvèdre dá o tempero da violeta e especiarias nos vinhos. A já mencionada e crescente Syrah é rica em notas frutadas com bom frescor. Via de regra, cada variedade é vinificada separadamente e raramente passam por barricas de carvalho, uma vez que o objetivo é expressar o frescor dos vinhos. Por serem colhidas cedo, justamente para preservar a acidez que passa essa agradável sensação de vivacidade, a arte de mesclar a personalidade precoce de cada variedade se mostra ainda mais importante e o que ajuda a definir o perfil do seu produtor favorito. Cada produtor trabalha para desenvolver seu perfil de tonalidade de cor e matiz aromática, porém para se chegar ao típico visual próximo ao salmão claro, as variedades tintas são prensadas diretamente (sem maceração com as cascas) até o período máximo de 20 horas de contato com as cascas para extração de cor e aromas.

Hoje são três grandes Denominações de Origem na Provence: a mais tradicional Côtes de Provence, AOP criada em 1977, Coteaux d’Aix-en-Provence (criada em 1985) e Coteaux Varois en Provence (nascida em 1993). A Provence hoje responde por 42% da produção de vinhos rosé na França e apenas 6% dos rosés no mundo, o que reforça a projeção dada pela qualidade. Entre 1990 e 2005 o consumo de rosé da Provence simplesmente triplicou.

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