Angostura, o amargo amado pelo mundo da coquetelaria

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A família dos bitters é utilizada em pequenas proporções nos coquetéis mas seu impacto é fundamental para dar alma às receitas. Embora a menção ao amargor possa assustar a muitos, um bitter de boa qualidade nunca traz o amargor de forma aleatória. 

Originalmente utilizado como medicamentos à base de infusões de ervas, cascas de frutas e especiarias para curar uma série de enfermidades, os bitters tiveram sua vocação reforçada como bons digestivos e daí saltaram para o balcão do bar, onde além da propagada funcionalidade se mostrou um tempero fundamental para muitas das receitas da coquetaria clássica, como Manhattan, Old Fashioned ou Sazerac. 

Angostura é um dos bitters comerciais mais antigos, conhecidos, e certamente, entre os mais utilizados nos bares e sua história segue o roteiro acima descrito. Criada em 1824 pelo Dr. Johann Siegert, a tintura medicinal destinada a aliviar incômodos estomacais, recebeu o nome de Angostura em homenagem à cidade venezuelana (atual Ciudad Bolívar) que o recebeu em 1820, quando imigrou da Alemanha. 

Em 1850 Angostura já era exportada para os Estados Unidos, Reino Unido e todo o Caribe, onde já era utilizado como componente para as receitas dos coquetéis. O primeiro grande boom do bitter ocorreu no início do século XX, considerada a era dourada da coquetelaria, com os recém criados Manhattan (1874) e Old Fashioned (1880). No ano seguinte os filhos do Dr. Siegert se mudaram, junto com a companhia, para Trinidad y Tobago. 

Na década de 1940, passada a lei seca norte-americana, Angostura viu um novo ciclo de florescimento com os coquetéis Tiki, como o Mai Tai, onde o rum caribenho ou sul-americano ganhava a invariável companhia de Angostura. A receita de Angostura segue como um segredo familiar e sabe-se que incorpora mais de 40 ingredientes como casca de cítricos caribenhos, ervas e especiarias, com uma concentração alcoólica de 44,7% e é apta para o consumo de veganos. 

Hoje Angostura é composta por uma família de bitters, onde além da versão clássica há um bitter de laranja, um bitter de cacau e o mais recente Amaro di Angostura (lançado em 2014), seguindo o estilo dos digestivos italianos que podem ser bebidos apenas com gelo. 

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